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Ana Angélica Costa
Du Salzane
Estefania Gavina
Felipe Abreu
Mariana Vilela
Vinicius Cruz

Imagens do Precário

Exposição Coletiva dos Artistas do Clube de Colecionadores 2018-2019

Imagens do Precário
Em cartaz de 17/ago/2018 a 

Seis artistas atuantes na cidade de Campinas foram convidados a compor a Coleção e realizar uma curadoria coletiva das obras. Questões como a precariedade de meios e procedimentos, afinidades cromáticas e temáticas guiaram a escolha das obras dentro do repertório de cada um dos artistas, determinando a forma como as Coleções foram criadas.

Compor a coleção do clube de Colecionadores não foi tarefa fácil, realizar a curadoria da exposição foi ainda mais. Nos reunimos, numa noite de quinta-feira, com o intuito de achar um eixo temático comum aos 6 artistas, tão distintos entre si. A missão era realizar uma curadoria coletiva, fazer com que cada artista pudesse refletir sua própria produção e a do colega e exercer a função do artista-curador.  Surpreendente foi escutar cada artista e ver que tínhamos muito em  comum: paisagens em natural abandono, em natural estado de tempo e naturalmente desapercebidas se compõem no precário em ruínas, no lixo, na técnica, no suporte e na materialidade  em  si. O poético, o onírico, o conceitual , a ação e o humor que compõe a coleção do clube e também a exposição convertem-se em  Imagens do Precário.

 

Paisagens Temporais

Ana Angélica Costa

Ana Angélica, artista visual que encontrou na fotografia feita com câmeras artesanais uma forma de pensar visualmente a origem e o que existe de mais simples e primordial na fotografia, apresenta aqui suas Paisagens-Temporais. São paisagens sobre o tempo da ocasião, tempo divino. Vivo, inventivo, contínuo.  Contrapondo-se à imediatez do instantâneo e da fotografia vernacular, sua obra traz os acasos, os temporais, às imagens-Paisagens. O precário se instaura aqui pelo seu procedimento técnico: as fotografias são feitas com uma câmera artesanal de madeira, sem visor, e com tempo de exposição (o tempo que o filme fica exposto à luz, proporcionando a impressão da imagem) expandido, aumentando a influência do acaso na formação da imagem.

Mares de Bolso

Du Salzane

Du Salzane se define como artista e sonhador. Aos 12 anos aprendeu que existia um mundo que lhe interessava muito ao observar a profissão de um irmão mais velho, torneiro mecânico. Um mundo onde a mecânica e suas possibilidades davam asas a imaginação através do que ele denomina como  “esculturas autômatas”: peças únicas construídas com madeiras de reuso que apresentam mecanismos que dão vida e poesia ao mar e outros mistérios.

 

A Fuga dos Símbolos
Restos sensíveis de uma imagem

Estefania Gavina

A fuga dos símbolos é uma serie de imagens produzidas com restos de fotografias e desenhos. As fotografias utilizadas pertencem ao arquivo intitulado ACHO; Arquivo Coleções de Histórias Ordinárias. O projeto ACHO é um acervo de mais de 5 mil fotografias anônimas, que foram sendo encontradas por catadores de lixo, nos despejos residenciais urbanos.

 

Montanhas em Nós

Felipe Abreu

We're on a road to nowhere

We're on a road to nowhere

 

Estar perdido na vastidão dos espaços naturais, ainda intocados, da costa oeste dos Estados Unidos pode te fazer sentir como um pedaço muito pequeno de algo muito maior. O sentimento de insignificância criado por montanhas, desertos e florestas pode fazer você repensar seu lugar no mundo. Montanhas em Nós é uma jornada por este lugar, refletindo sobre a vastidão deste espaço, sua magnitude e a maneira com que o homem se relaciona com ele. As imagens da série foram produzidas sem um destino traçado, uma viagem ao acaso através de grandes e pequenas estradas e caminhos, deixando o espaço revelar aquilo que gostaria de apresentar. O sentimento de ausência acabou sendo o maior guia na construção desta narrativa, trazendo pequenos traços, objetos e presenças deixadas para trás pelo homem em sua jornada através de espaço quase intocado. Cada traço poderia ser uma pista para a próxima etapa dessa jornada ao acaso. Esta série de imagens deseja refletir sobre a experiência de viajar em uma estrada que você não sabe para onde vai te levar, mas que te dá novos estímulos a cada passo dado em seu caminho. 

 

Infinito

Mariana Vilela

Infinito é o 46º registro da série Mapa dos Sonhos. Performance realizada em Cumuruxatiba BA. Nesta série apresentada, investigo as relações entre corpo, arquitetura e geografia, sobretudo os afetos por eles estabelecidos. Meu olhar volta-se para os lugares por vezes abandonados, inóspitos e em ruínas que passamos todos os dias sem nos darmos conta. Lugares em processos de desertificação. Com este trabalho, que borra limites entre fotografia e performance, interessa-me descobrir novas formas de entender e atuar nesses desertos urbanos e a possibilidade de trazer ao olhos a beleza da ruína.

 

“Tudo aquilo que nos leva a coisa nenhuma

e que você não pode vender no mercado

como, por exemplo, o coração verde

dos pássaros,

serve para poesia” (Manoel de Barros)

 

Léxico do Baldio

Vinicius Cruz

 

Composta por um conjunto de monotipias realizadas a partir da observação de plantas coletadas em terrenos abandonados e matagais com os quais o artista se depara em seus percursos cotidianos pela cidade, a série Léxico do baldio é um elogio do mato que busca sujar o olhar de chão para des-classificar o ser e revelar a beleza inerente a tudo aquilo em que se manifesta a inteligência da vida. 

Ana Angélica Costa​

 

Artista visual que encontrou na fotografia feita com câmeras artesanais uma forma de pensar visualmente a origem e o que existe de mais simples e primordial na fotografia, apresenta aqui suas Paisagens-Temporais. São paisagens sobre o tempo da ocasião, tempo divino. Vivo, inventivo, contínuo. Contrapondo-se à imediatez do instantâneo, sua obra traz os acasos, os temporais, às imagens-Paisagens. O precário se instaura aqui pelo seu procedimento técnico: as fotografias são feitas com uma câmera artesanal de madeira, sem visor, e com tempo de exposição expandido (o tempo que o filme fica exposto à luz, proporcionando a impressão da imagem), aumentando a influência do acaso na formação da imagem.

Du Salzane

Du Salzane se define como artista e sonhador. Aos 12 anos aprendeu que existia um mundo que lhe interessava muito ao observar a profissão de um irmão mais velho, torneiro mecânico. Um mundo onde a mecânica e suas possibilidades davam asas à imaginação através do que ele denomina como “esculturas autômatas”: peças únicas construídas com madeiras de reuso que apresentam mecanismos que dão vida e poesia ao mar e outros mistérios.

Estefania Gavina

Artista argentina radicada no Brasil, coleciona fotografias antigas há muito tempo: achadas na rua, trocadas ou até mesmo entregues na sua portaria por catadores de lixo. Com a morte da avó, ganhou um grande arquivo de fotografias da família e, a partir dos pedaços das imagens rasgadas, começou a compor “ligações secretas” entre elas. Na série “this could have been good” (poderia ter sido bom) propõe recriar um álbum de família com páginas soltas para montar histórias com forte inspiração surrealista sobre aquilo que gostaríamos de ter sido. Trata-se da construção, através das sobras, de uma outra memória para as imagens.

Felipe Abreu

Felipe Abreu pesquisa exaustivamente processos de sequenciamento e construção de narrativas em fotografia, buscando a construção de relações narrativas e formais entre as imagens, traçando um caminho que vai de uma conexão próxima ao real até um processo de abstração total na fotografia. A série Objetos Próprios, que o artista apresenta aqui, discute questões que culminam em uma conexão mais profunda entre a fotografia e a pintura, buscando explorar as possibilidades plásticas e narrativas de ambos os meios através de um esvaziamento visual das imagens, se afastando de um processo figurativo para chegar a uma potência minimalista na abstração em fotografia.

Mariana Vilela

Artista múltipla, apresenta aqui a série Mapa dos Sonhos, na qual investiga as relações entre corpo, arquitetura e geografia; e os afetos estabelecidos por essas relações. Seu olhar volta-se para lugares abandonados, inóspitos e em ruínas que passamos todos os dias sem nos darmos conta. Lugares em processos de desertificação. Com este trabalho, que borra limites entre fotografia e performance, interessa à artista descobrir novas formas de entender e atuar nestes desertos urbanos e a possibilidade de trazer aos olhos a beleza da ruína.

Vinicius Cruz

Jovem artista e filósofo, desenvolve trabalhos em pintura, desenho, gravura e fotografia. Movido por sua paisagem natal do interior de Minas Gerais, o artista busca em suas obras estabelecer um diálogo com os elementos da natureza, o campo e a cultura popular. Apresenta no Clube de Colecionadores a sua série Léxico do baldio, composta por um conjunto de monotipias realizadas a partir da observação de plantas coletadas em terrenos abandonados e matagais, com os quais o artista se depara em seus percursos cotidianos pela cidade. É um elogio do mato que busca sujar o olhar de chão para des-classificar o ser e revelar a beleza inerente a tudo aquilo em que se manifesta a inteligência da vida. Em Imagens do Precário, o artista apresenta trabalhos mais antigos que originaram esta série.