Mariana Vilela | Floresta - Calendário Casa de Eva 2022

JANEIRO

Mariana Vilela

Performer e artista visual. Está em busca de uma arte relacional que promova um corpo-linha-selvagem comprometido com a tecedura de outros mundos possíveis, mais engajados, salutares e afirmativos.

FLORESTA faz parte de uma série maior intitulada Linhas Selvagens. Linhas selvagens são os pensamentos em visualidades que venho pesquisando: a ação humana em simbiose com pedras, plantas e animais como possibilidade de comunicação, que busque suspender as oposições entre natureza e cultura, sujeito e objeto, teoria e prática, matéria e espírito, humanos e não-humanos, a partir de um corpo-linha não como uma fronteira a ser defendida, mas como um complexo de relações no qual o sujeito está ativamente comprometido.

FEVEREIRO

Luciane Kunde

Investiga a fatura do papel artesanal, e é desse embate com a matéria que encontra sua poética. Valoriza o processo como elemento de criação, que começa na colheita do vegetal até sua transformação em polpa. Matéria, processo e natureza são palavras que traduzem seu fazer; sua poética gira em torno de seus olhares para o ambiente que a cerca, composto de plantas, galhos, troncos, insetos, sol, terra e água.

POSSÍVEIS PAISAGENS é um trabalho realizado na técnica conhecida como pulp painting, caracterizada pela pigmentação da polpa celulósica e sua utilização como material pictórico. É como se a artista estivesse pintando na água, que através do movimento impresso no bastidor desenha sua trajetória na superfície. É como se a água fosse a tela e a polpa fosse a tinta.

Luciane Kunde | Possíveis paisagens - Calendário Casa de Eva 2022

MARÇO

Valéria Scornaienchi

Artista visual, mora e trabalha em Campinas. O desenho, a escrita, a fotografia, objetos, instalações e vídeos são linguagens presentes na sua produção.

A TERRA QUE ME HABITA é um livro de artista feito de desenhos e escritos de memórias. Os recortes, desenhos, textos e fotografias dialogam entre si habitando as folhas de papel vegetal, criando diálogos imaginários entre as plantas, as memórias e a própria materialidade do livro. A imagem escolhida para compor o calendário é a fotografia de uma das páginas do livro. 

Valeria Scornaienchi  A terra que me habita - Calendário Casa de Eva 2022
 
 
 
 

ABRIL

Sylvia Furegatti

Artista visual e curadora. Vive e trabalha em Campinas. É membro fundadora do Pparalelo de Arte Contemporânea / ppllartgropu.net. Professora do Depto de Artes Visuais e do Programa de Pós Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da Unicamp. Atualmente ocupa o cargo de Diretora do Museu de Artes Visuais - MAV Unicamp e representa a Unicamp no  Conselho de Orientação do Sistema Estadual de Museus - COSISEM/SP. É coordenadora nacional do Grupo de Estudos sobre Arte Pública no Brasil – GEAP BR (https://geapbr.wordpress.com/)  e vice coordenadora do Grupo de Estudios sobre Arte Público en Latinoamerica - GEAP LA (https://geaplatinoamerica.org/).

FOLHAS AMARELAS, FENECER A imagem é parte do vídeo "Sobre o entorno e as circunstâncias" (2021) no qual um conjunto de folhas da planta Scadoxus multiflorus dessecadas e preservadas por aproximadamente um ano são manipuladas à contraluz. Trata-se de proposta artística que combina imagem fotográfica, video e um texto-poema que apresentam uma perspectiva poética sobre a resistência à(s) várias secura(s) da vida e as prováveis mudanças sugeridas pelo nosso entorno.

Sylvia Furegatti | Folhas Amarelas, Fenecer - Calendário Casa de Eva 2022
Alice Grou | Sementes, frutos secos e afins - Calendário Casa de Eva 2022

MAIO

Alice Grou

Vive e trabalha em Campinas, São Paulo. Doutora em Matemática pela Unicamp, iniciou sua formação em Artes Visuais de forma independente, privilegiando a fotografia como linguagem e expressão de sua poética. A partir de 2014 passa a integrar o Grupo de Estudos em Fotografia Contemporânea no Ateliê CASA em Campinas, sob a coordenação de Fabiana Bruno.

SEMENTES, FRUTOS E AFINS Neste trabalho adoto a semente como paradigma da vida vegetal. Cada semente contém virtualmente uma árvore. Semente é força, é potência. É tudo que se lança à terra para germinar. Como metáfora, é todo sentimento que se implanta, desenvolve e brota na alma, no espírito, no coração.

 

JUNHO

Simone Peixoto

Artista visual e educadora, integrante do Xilomóvel – Ateliê Itinerante. Fez mestrado e doutorado na Unicamp, ambos com a orientação da Profa. Dra. Luise Weiss. Na sua pesquisa, a xilogravura,  a monotipia e a imagem impressa dialogam com uma investigação sobre o desenho e a representação, valendo-se de sobreposições de imagens, de procedimentos e de objetos.

SOPRO Coletar e colecionar sempre fizeram parte do meu processo como artista. Objetos perdidos, insetos e elementos naturais como galhos, folhas, raízes, sempre transitaram, pela minha mesa de trabalho, gavetas e cadernos como modelos ou inspirações. Essas coletas sempre tiveram uma conversa silenciosa com as imagens criadas, mostrar esse diálogo é apresentar uma perspectiva que eu já conhecia há tempos. Em ‘Sopro’, as sombras projetadas são o lugar onde a representação tangencia a matéria.

Simone Peixoto | Sopro - Calendário Casa de Eva 2022
 
Ana Angélica Costa | Da série Imagens Escondidas - Calendário Casa de Eva 2022

JULHO

Ana Angélica Costa

Artista visual, pesquisadora, gestora e produtora cultural. Possui ampla pesquisa em fotografias feitas com câmeras pinhole e experimentos com câmeras obscuras, buscando uma compreensão do que é essencial na produção de imagens. No início de 2015 mudou-se para Campinas e fundou a Câmera Lúcida (www.cameralucida.com.br) e desde 2016 está à frente da Casa de Eva – espaço de criação e aprendizagem.

A série PAISAGENS ESCONDIDAS é composta por registros de imagens formadas em um quarto transformado em câmara obscura. O princípio da câmara obscura é o fenômeno óptico responsável pela formação da imagem no interior de todos os dispositivos produtores de imagens. Nos últimos quase 20 anos venho desenvolvendo práticas que envolvem a migração das imagens geradas em câmaras obscuras em diferentes meios: da experiência física de adentrar um quarto escuro produtor de imagens, passando pela fotografia de registro das imagens formadas, a animação de imagens em vídeo e até mesmo foto e vídeo-instalações.

AGOSTO

Flávia Fabio

Artista visual, doutoranda em Poéticas Visuais na Unicamp, com a pesquisa poética centrada na exploração da paisagem cotidiana com a utilização das plantas como matrizes, registrando seus desenhos e texturas em suportes variados. Seu trabalho transita entre a gravura, a cerâmica e a fotografia. Atua, também, como docente em cursos de artes e design e desenvolve projetos na área de design gráfico.

MARACUJÁ é uma cologravura feita a partir da própria planta coletada no jardim da artista. Neste processo, a planta é colada sobre uma placa, tornando-se ela mesma parte da matriz, onde suas formas e volumes são preservados, como uma de espécie fóssil. As impressões desta matriz captam desenhos delicados, texturas e a volumetria nela presentes. A planta não é apenas objeto de observação, mas atua também como coautora neste trabalho.

Flávia Fabio | Maracujá - Calendário Casa de Eva 2022

SETEMBRO

Luciana Bertarelli

Artista visual e educadora. Nasceu em São Paulo e hoje vive e trabalha em Campinas-SP. É idealizadora e integrante do Xilomóvel - Ateliê Itinerante desde sua concepção em 2009, onde desenvolve projetos artísticos e educacionais. Em sua pesquisa visual, transita entre diferentes linguagens, como a xilogravura, o desenho e a fotografia.

SEM TÍTULO Nessa fotografia a artista manipula com as mãos uma estrutura de papel laminado que mimetiza uma costela de adão. A corporeidade brilhante desse material procura tanto chamar a atenção para o aspecto artificial do papel, como também remete a materiais preciosos.

Luciana Bertarelli | Sem título - Calendário Casa de Eva 2022

OUTUBRO

Estefania Gavina

É argentina e vive e trabalha em Campinas. Artista fundadora do Ateliê CASA, espaço idealizado como lugar de pesquisa e experimentação de fotografia contemporânea. É também uma das idealizadoras do projeto ACHO – Arquivo Coleção de Histórias Ordinárias [www.achoimagens.org]. 

GESTOS BARREIRA é um registro diário de imagens que começou no dia 16.03.2020, com o início do isolamento social, e se estendeu durante 128 dias. As perguntas sem resposta em um mundo suspenso, levou o olhar da artista para o tempo de vida da natureza. Assim, utilizando a mão esquerda e o celular surgiram pequenos gestos íntimos para falar do que cozinhamos e nos alimenta e o ciclo de volta para a terra. Gestos barreira para voltar à simplicidade e à essência do ser.

Estefania Gavina | Gestos Barreira - Calendário Casa de Eva 2022
Ligia Minami | Azaleias - Calendário Casa de Eva 2022

NOVEMBRO

Ligia Minami

Educadora, artista visual e fotógrafa. Sua pesquisa aborda as questões do tempo e seu entrelaçamento com a memória, com investigações poéticas no campo da fotografia e processos de impressão artesanal oriundos do século XIX, destacando sua interação com tecnologias digitais em processos criativos contemporâneos.

AZALEIAS A impermanência é perscrutada a partir de uma coleção de rastros gráficos e fotográficos, onde impressões artesanais que mesclam monotipias, xilogravuras e fotogramas em cianotipia repousam sobre bandeiras de tecido.O conjunto destas instâncias de representação e artesanias acaba por remeter a uma espécie de jardim interno, onde os gestos dos processos técnicos de produção das imagens são subjetivados e incorporados como rituais na poética do trabalho: coletar corpos e matérias, esmagar texturas contra a tinta, queimar presenças ao sol, parir rastros sob a água.

DEZEMBRO

Cristina Raposo

Graduada em Psicologia, com Mestrado em Saúde Pública. Desde 2010 documenta seu trabalho em Saúde Pública através da fotografia, tendo desenvolvido um olhar inédito para retratar cenas cotidianas em países como Moçambique, Tanzânia, Senegal, África do Sul, entre outros. Alargou seu olhar fotográfico registrando a beleza dos tecidos e as cores da vida simples emoldurados pela luz natural. Sua poética se debruça sobre a mulher, o que dá corpo às suas narrativas imagéticas.

ACÚLEOS As flores das árvores, principalmente aquelas imponentes como a Chorisia Speciosa (Paineira ou “Barriguda" como conhecida em Brasilia), sempre recebem mais destaque e atenção do que os troncos e suas texturas. Acúleos (espinhos) se destacam nessa fotografia como forma de nos lembrar que são efêmeros. Eles caem na medida em que a árvore envelhece. E é assim o ciclo. Na vida, na medida em que amadurecemos, vamos aprendendo a lidar com mais leveza com nossos espinhos. Eles também não serão eternos.

Cristina Raposo | Acúleos - Calendário Casa de Eva 2022